Novonor S.A.
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Por Alexandre Baltar

O ano de 2020 deixará muitas lições e aprendizados. Não raro tem sido o argumento de que a imprevisibilidade dos acontecimentos justificaria a inevitabilidade das consequências. Trata-se, em grande medida, de um falso argumento. Os acontecimentos deste ano reforçam a importância da gestão de riscos nas organizações. A capacidade de resposta perante o improvável reside muito mais na existência de um processo ordenado e de uma cultura de gestão de riscos do que no mapeamento prévio e preciso de um evento específico que possa vir a se materializar.

A concepção e o funcionamento de programas corporativos de integridade não fogem a esta regra. Desenvolver e fortalecer uma cultura interna de comportamento ético é objetivo central de qualquer programa de integridade em uma organização. Toda atividade humana, no entanto, é passível de erros ou desvios, propositais ou acidentais. A probabilidade de ocorrência desses erros e desvios é fortemente condicionada pelo estágio de maturidade da cultura organizacional, mas também é influenciada pelo contexto da atividade, pelos atores envolvidos e pelas condições de contorno do ambiente institucional em que se insere.

Não é à toa que as principais legislações e padrões internacionais que servem de referência para a formulação de programas corporativos de integridade definem entre os pilares centrais para sua efetividade a existência de um processo orgânico e regular de avaliação de riscos, a atualização das respostas aos mesmos e o monitoramento de sua evolução lastreado em um dever de constante observação e diligência.

Entender os riscos e revisá-los regularmente é condição necessária para a correta identificação de prioridades e a alocação adequada de recursos destinados a prevenir, detectar e remediar ações e atitudes incompatíveis com os preceitos de atuação ética, íntegra e transparente de uma organização.

Esse foi um dos alicerces da transformação ocorrida na OEC nos últimos anos, envolvendo todos os níveis da empresa e considerando os riscos em diversas dimensões, por geografia, por projetos e por processos e atividades. Revisando regularmente os controles, monitorando seu funcionamento e endereçando os riscos residuais em uma estrutura ordenada de governança, incluindo visões diversas, colegiadas e independentes.

Após reconhecer desvios cometidos e celebrar acordos de leniência com autoridades de diferentes jurisdições, a empresa empenhou-se nos últimos quatro anos em um profundo processo de transformação que foi acompanhado, testado e substancialmente fortalecido com recomendações, por monitores independentes apontados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Esta semana esse monitoramento foi concluído com sucesso, sendo um marco nesse processo de transformação e constituindo para a empresa um rito de passagem para uma nova fase.

O sentimento é de evolução e amadurecimento. Os avanços conquistados são permanentes e não param com a certificação dos monitores. Não há linha de chegada, pois estamos constantemente em busca da excelência dos nossos processos. Os compromissos assumidos estão incorporados à nossa cultura e são cotidianamente revelados nas ações de nossos Integrantes, materializando oportunidades para a construção de um futuro melhor.

Alexandre Baltar é Chief Compliance Officer da OEC.